O avanço desenfreado do coronavírus no Brasil e a imposição repentina das medidas de isolamento social trouxeram outra grande preocupação para a saúde do Brasil: as centenas de milhares de pessoas com doenças graves que seguem necessitando de tratamento.
Este tem sido um desafio não só para pacientes, mas também para toda a equipe de saúde, médicos e gestores, que têm se organizado para postergar, de forma segura, o tratamento de alguns pacientes. Por outro lado, pacientes cujos quadros são de emergência também têm sido considerados e seu tratamento imediato é inquestionável.
Porém, precisamos chamar atenção para uma situação em particular: a de pacientes cujos tratamentos não são emergências, mas postergá-los pode aumentar a morbimortalidade. Estes pacientes, na maioria das vezes, não estão recebendo a devida atenção por serem considerados como um problema que não precisa ser resolvido agora.
Por isso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica tem manifestado sua preocupação especial com esse grupo de pacientes e considera urgente a priorização do tratamento doenças graves, em especial do câncer, cujo atraso do tratamento pode resultar em danos maiores para os pacientes.
É importante notar que a pandemia de Covid-19 pode durar até 2024. Neste cenário, fica impossível postergar ou privar pacientes de tratamentos até que tudo se normalize. Por isso, é a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica propõe criar vias que estejam livres da Covid-19 e que sejam capazes de absorver os pacientes com doenças graves não relacionadas à Covid-19. Dessa forma, será possível atender aos pacientes que necessitam do tratamento, sem sobrecarregar o sistema de saúde, seja por Covid-19 ou outras doenças.