A vesícula biliar é o órgão responsável pelo armazenamento da bile, um líquido produzido no fígado que ajuda a digerir as gorduras dos alimentos conforme eles passam pelo intestino delgado, enviando a bile por um pequeno tubo chamado ducto cístico.
Assim como qualquer outra parte do corpo humano, a vesícula também pode ser atingida pelo câncer, que, apesar de raro, costuma não se manifestar até que esteja em estágio avançado. No entanto, em alguns casos, os sintomas podem surgir no início, o que facilita o diagnóstico e aumenta as chances de cura.
Sintomas de câncer na vesícula
- Dor na parte superior direita do abdômen
- Náuseas e vômitos
- Pele e parte branca dos olhos com tons amarelados
- Perda de apetite
- Perda de peso sem razão aparente
- Febre
- Fezes claras
- Urina escura.
Diagnóstico
Muitos pacientes chegam a descobrir o câncer na vesícula após removerem o órgão por conta de um cálculo biliar ou para tratar alguma inflamação. No entanto, a maioria dos casos de tumores nesse órgão são descobertos quando o paciente manifesta os sintomas.
Tendo o paciente manifestado qualquer queixa, o médico irá realizar o exame clínico, analisando o abdômen, a cor da pele e dos olhos. Se ele notar qualquer indicativo de câncer, exames complementares poderão ser solicitados, como:
– Testes de função do fígado e da vesícula biliar: feito através do exame de sangue, medindo a quantidade de bilirrubina no sangue, além de albumina, enzimas hepáticas (fosfatase alcalina, AST, ALT e GGT) e outras substâncias específicas.
– Marcadores tumorais: são substâncias produzidas por células cancerosas e que podem ser detectadas no sangue. Pessoas com câncer da vesícula biliar podem ter níveis elevados dos marcadores CEA e CA 19-9.
– Exames de imagem: tomografia, ressonância magnética ou ultrassonografia são exames de imagem muito usados para investigar áreas com suspeita de câncer, além de verificar se ou até que ponto o câncer se espalhou.
– Laparoscopia: neste exame, o médico introduz o laparoscópico (tubo fino com uma luz e uma pequena câmera na extremidade) em uma pequena incisão (corte) na frente do abdômen, para observar a vesícula biliar, o fígado e outros órgãos próximos e tecidos. Se necessário, pode ser feita uma biópsia no mesmo procedimento.
– Biópsia: é a remoção de uma amostra de tecido para ser examinada com um microscópio, na busca por células cancerígenas. É um exame praticamente indispensável para o diagnóstico do câncer.
Se os exames realizados atestarem a presença de um tumor na vesícula biliar e não houver indícios de que ele tenha se espalhado para algum outro órgão, o médico pode prosseguir diretamente para a cirurgia de remoção do órgão, tratando o caso como um câncer localizado.
Tratamento do câncer na vesícula
Em geral, o tratamento principal é a cirurgia, que pode ser:
– Cirurgia potencialmente curativa: feita quando os exames de imagem mostram que há uma boa chance de que o procedimento possa remover todo o câncer.
– Cirurgia paliativa: realizada em casos de câncer avançado, sendo feita para aliviar os sintomas da dor ou tratar (ou mesmo prevenir) complicações, como o bloqueio das vias biliares. Em geral, pode ajudar o paciente a se sentir melhor e viver mais.
Fatores de risco
Conhecer os fatores de risco para desenvolvimento do câncer na vesícula biliar é o primeiro e principal passo para combatê-lo. Em caso de histórico familiar deste câncer, o paciente deve fazer acompanhamento médico constante para garantir que, se for o caso, o câncer será diagnosticado em estágio inicial. Além disso, cálculos biliares (pedra na vesícula), obesidade, idade avançada, pólipos na vesícula, tabagismo e exposição a produtos químicos podem aumentar o risco de desenvolver a doença.