O que é a biópsia do linfonodo sentinela e por que ela é importante no tratamento do câncer?

A biópsia do linfonodo sentinela (BLS) é um dos procedimentos mais importantes para definir o prognóstico e melhor conduta nos pacientes com melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Esse procedimento também tem sido estudado e indicado para outros tumores, como o tumor de Merkel e alguns caso de carcinoma espinocelulares (CEC).

Para os pacientes com tumores em estágios iniciais, ou seja, que ainda não se espalharam para outros órgãos e estão restritos à pele, a cirúrgica oncológica é a primeira opção de tratamento, e geralmente ela por si só é capaz de eliminar completamente o tumor.

Entretanto, em alguns casos, especialmente melanoma, tumores que tenham frações de milímetros de espessura ou poucos milímetros já podem ter a capacidade de invadir e a competência de disseminação. Por isso, o tratamento das lesões suspeitas de melanoma deve ser feito em dois tempos: inicialmente é feito um procedimento diagnóstico, preferencialmente com uma biópsia excisional (que retira todo o tumor) com margem mínima.

Se o melanoma for diagnosticado através dessa biópsia, o tratamento cirúrgico oncológico definitivo é feito de acordo com a espessura do tumor (chamada de espessura de Breslow) e com o estadiamento, ou seja, sua localização, para onde se disseminou e se está afetando as funções de outros órgãos no corpo.

Na biópsia do linfonodo sentinela, é injetado um radiofármaco na cicatriz onde estava o melanoma, que segue o mesmo caminho linfático que a célula do melanoma faria se fosse disseminar. Isso é feito no dia da cirurgia pela manhã ou no dia anterior, e consiste na linfocintilografia, um tipo especial de imagem do sistema linfático, feita pela medicina nuclear. Este exame procura responder à seguinte pergunta: se o tumor que estava aqui fosse se espalhar por via linfática, para qual (ou quais) linfonodos ele iria?

Assim, podemos ampliar as margens cirúrgicas do tumor e realizar a BLS. Este procedimento é feito em forma de cirurgia ambulatorial ou hospital dia, com anestesia local e sedação venosa, com absoluta precisão. Além disso, é considerado um procedimento minimamente invasivo e de baixíssimo risco. Em caso de disseminação regional linfática, são indicados procedimentos adjuvantes para diminuir a possibilidade do paciente ter recorrências futuras.